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A felicidade não está onde te ensinaram a procurar



"Como vocês podem ser tão felizes?"


Perguntei ao Oka, meu guia Balinês, que estava a me levar para o Templo Pura Tirta Empul, para na água adentrar e deixar ir aquilo que precisava limpar.


E ele me disse:


"Sabe Priscila, todo dia de manhã eu acordo, medito e me conecto com o meu divino, pergunto para ele: Como posso ser feliz hoje? E de tanto perguntar, consigo enxergar felicidade em todo lugar e me sentir feliz se torna real, basta acreditar."


Achei aquilo muito bonito, mas talvez ainda não tivesse entendido o que ele estava a me ensinar.


Era incrível a energia daquele lugar, logo ao chegar, Bali me fez sentir um misto de emoções. Naquelas ruas apertadas com turistas indo e vindo, e carros tentando passar, o cheiro de churrasco na calçada me fez relembrar um pouco de casa, misturado com a novidade de explorar um novo lugar.


Aquele trânsito desgovernado, as pessoas buzinando e famílias se equilibrando na scooter para a casa voltar, misturado com lugares distantes que nem pessoas você escutava falar, era só o barulho do pássaro e do vento balançando a plantação de arroz com o cheiro de incenso e uma paz que não dava nem para acreditar.


Ao explorar o ponto turístico via-se pontos lindos e naturezas exuberantes, misturados com lixo, pobreza e simplicidade contrastantes, mas sempre e em todo lugar tinha um Balinês sorrindo, te fazendo lembrar que a felicidade não estava onde te ensinaram a procurar.


Talvez ainda não tinha entendido o que Bali estava tentando me mostrar.


Sentada para almoçar, ele me contava que tinham perdido tudo na pandemia, precisou se endividar para com a casa ficar, mas tinha tantos sonhos que nem ousou parar, dava para ver o brilho naquele olhar.


No dia seguinte, me levou até a casa da sua família, onde me senti muito acolhida, aquela mulher, para lá dos seus 70 anos, que ele me disse ser sua tia, sem o inglês saber falar, sorria para mim não se importando de mostrar os dentes que estavam a faltar, me fazendo sentir como se eu já pertencesse àquele lugar, era como se ela me acolhesse com o olhar, me dizendo que não precisava aprender o inglês perfeito para falar a língua que o coração estava a expressar.


Ao me deixar no hotel, abracei-o e agradeci, pelo bem que havia me feito, eu que nem sabia o que procurava, entendi que a felicidade estava ali, onde você está, sem se importar com as diferenças e as dificuldades em se comunicar, ou com bens materiais, ela estava ali na comida servida, na presença, na vontade de compartilhar tudo aquilo que tinha sem se preocupar se ia faltar, era sobre agregar, olhar, acolher, respeitar e sentir o presente de estar ali e poder estar vivo para os sonhos batalhar e conquistar.


Bali tem meu coração!! Se está pensando em conhecer esse lugar, super recomendo e que seja tão bom quanto foi para mim!


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