A arte de se relacionar e aprender a amar
- Priscila Carnelos
- 12 de jul. de 2025
- 4 min de leitura
"Não teve a oportunidade de aprender outro modo de lidar com uma família"
Frase do livro: "Você pode curar a sua vida" da Louise Hay, da parte em que ela conta de sua experiência de vida e o quanto ela entende que como foi tratada na infância, veio de como os pais haviam sido tratados na infância deles, e o ciclo se repetia. Mas tudo começou a mudar quando ela começou a olhar para dentro, perdoar e aprender a se amar.
Me lembro de ler o livro dela pela primeira vez em 2019 e falar:
"Quero muito conhecer essa mulher", e logo descobri que já havia falecido. Como ela dizia: "o professor aparece quando o aluno está pronto", e como presente, em 2021 em um momento bem dificil da minha vida, comecei a pesquisar retiros para ver se conseguia me acalmar e voltar para o centro e lá estava ela de novo:
"Curso para ser instrutora do método: Você pode curar sua vida", agradeci e me
inscrevi.

Comecei a ensinar e compartilhar todo o amor que existe no método dela, mas algo dentro gritava que não era só sobre falar, me pedia para experimentar tudo aquilo que estava à passar.
Fato é que parece que com ela aprendi que relacionamentos vão além daquilo que vejo na minha frente e que costumam me apresentar.
Outro dia, na aula de análise do comportamento na faculdade de Psicologia, a professora estava à ensinar que todo comportamento começa de um estimulo e que desencadeia uma ação e comecei a sentir o meu corpo reagir e se incomodar quando ouviu que: "Somos moldados pelo meio, se a gente faz algo e é elogiado continuamos a fazer, e se a gente faz algo e é punido tendemos a parar o comportamento", me perguntei porque aquilo estava me incomodando.
Fui brincar com uma criança e percebi aquilo acontecendo na minha frente, na prática.
A criança de 4 anos que queria brincar, correr, pular, se divertir, ouvia ao subir no sofá: "Já te falei para parar" ou ao querer brincar com a irmã: "Isso não é para meninos, vai procurar outra coisa para brincar", mas a energia estava lá e ele não sabia como fazer para gastar ou direcionar, só sabia que ficar parado não era uma coisa que ele queria então começou a procurar um doce ou uma comida para poder se saciar e se acalmar.
Quantas vezes não fomos procurar conforto emocional em uma comida, não é mesmo?
Chamei-o e falei: "Entendi, sei como se sente quando está ansioso ou tem muita energia no seu corpo para movimentar, as vezes a gente confunde fome com essa ansiedade e vamos em busca do doce para saciar essa vontade, me conta o que você gostaria de brincar?" Percebi a energia dele mudando, passamos mais horas brincando do que focando em gritar ou pedir para ele parar.
Saindo de lá me perguntei o que tudo aquilo estava querendo me mostrar, e entendi que aquela aula de análise do comportamento me incomodou por me fazer perceber que realmente crescemos em uma sociedade que nos ensinou a nos moldar e não deu espaço para nos ensinar para casa voltar, nos aceitar, ser quem somos e então deixar a nossa luz brilhar.
Poucas foram as vezes que alguém pegou na nossa mão, escutou o que a gente estava sentindo e ensinou o que fazer com aquilo, talvez como adulto a gente só tenha aprendido a repreender e entender que estamos errados por sentir.
E não existem culpados, afinal as pessoas só conseguem fazer aquilo que sabem e que aprenderam até aqui.
Como dizia Louise Hay, aquilo que a gente vive reflete o que temos dentro da gente e a gente costuma acreditar. A criança que está tentando se movimentar e escuta que precisa parar, talvez só esteja refletindo como a gente costuma tratar a criança que existe dentro da gente e só está querendo se expressar.

Sei lá, algo começou a mudar quando comecei a me tratar com mais carinho e a me dar aquilo que gostaria que minha criança tivesse recebido, perdoar aqueles que fizeram com a maior das boas intenções e que me ajudaram a chegar onde estou hoje e escolher fazer diferente, mesmo que eu ainda tenha muito para aprender e para agregar, sei também que vou errar, mas sei que só vou aprender se eu tentar e as coisas podem mudar quando a gente resolve olhar para dentro e reaprender a amar.
O fazer diferente precisa ser ensinado, acolhido, amado, para criar espaço para as pessoas mudarem.
Como você tem se tratado? O externo e as relações estão ai para nos mostrar como a gente tem se cuidado. Outro dia ouvi de uma mulher: "Eu cansei de ser tratada com irritabilidade pelo marido e pela filha." então perguntei: "Me conta como você se trata quando você erra ou faz algo fora do planejado?" e bem rápida ela disse: "Fico brava comigo mesma e costumo dizer que sou burra." O marido e a filha só estão ali mostrando aquilo que ela está pronta para olhar e como ela costuma de modo inconsciente se tratar.
Por isso que sempre escuto e gosto de falar, o mundo que a gente quer viver começa dentro da gente, não adianta mais querer postergar ou jogar a culpa pro político que não sabe governar ou pros pais que agiram diferente do que você gostaria, pois cada um age com o nivel de consciência que tem no momento.
Estamos todos aprendendo.
Sei que falar de relacionamentos e compartilhar esse olhar pode ser delicado e não estou falando que reaprender a amar e novas formas de se relacionar seja passar a mão em atitudes que a gente não gosta ou que não queremos para nossa vida, mas como aprendi com a Louise, quando a gente cura dentro da gente, tendemos a não mais atrair pessoas que nos espelham as mesmas. E quando a gente se cura, também aprendemos a falar sobre nossos limites e a nos respeitar sem medo do que os outros vão pensar, ou se seremos punidos ou elogiados, entendemos que a recompensa que aprendemos a buscar em outro lugar, sempre esteve aqui, dentro da gente quando a gente aprende a se ouvir e se respeitar.
Tem sido um processo por aqui e sei que amanhã posso aprender mais sobre isso para vir compartilhar e muitas ideias podem mudar, mas hoje senti que o amor que sinto pode quem sabe também te inspirar!



Que lindo testo!!!!! A forma com que vê, sente e transmite. Obrigada por compartilhar um tema tão difícil e me fazer refletir de uma forma tão acolhedora e carinhosa. Olhar com seus conhecimentos e vivências me fizeram olhar com carinho por algo que até então não havia observado. Parabéns!!!!! Você é Luz.