Quem pode ser criativo?
- Priscila Carnelos
- 4 de ago. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 5 de ago. de 2025
"Quem pode ser criativo?"
Foi a primeira frase que li ao abrir o livro: Cura pelas palavras de Rupi Kaur.

"Sabe o que me deixa triste? Quando uma pessoa me diz que não é criativa.
Como foi que permitimos que milhões de pessoas acreditassem que criatividade é uma habilidade acessível a apenas uns poucos escolhidos..."
(Rupi Kaur)
Você também já pensou nisso? Confesso que durante meu processo da busca das minhas habilidades e como poderia compartilhar meus dons com o mundo, sempre chegava à conclusão de que não tinha NENHUM dom artístico, e muito menos era criativa.
Quando perguntava para as pessoas no que elas me achavam boa, vinham respostas do tipo: você é empática, você é curiosa, você ajuda as pessoas, você lida bem com as pessoas.
Sentia falta do: você sabe dançar bem, desenhar, tocar violão como ninguém.
Não, isso não aparecia por aqui.
Até que um dia peguei um livro para ler: "O caminho do artista" da Julia Cameron, já leu?
Esse livro abriu a minha mente, ela dizia que todos nós temos um artista dentro de nós, mas esquecemos ele por ai, embaixo de tantas críticas, crenças e julgamentos que fizeram esse artista se calar. Aprendemos que era melhor nem tentar do que correr o risco de errar. Continuando o texto do livro Cura pelas palavras, a Rupi diz isso também: "Quando éramos crianças, todos nós rabiscávamos sem parar, desenhando e escrevendo em nossos cadernos. Naquela tenra idade, não viámos a criatividade como uma habilidade, nós a viamos como algo que fazíamos, junto de muitas outras coisas. Essa ingenuidade e despreocupação nos permitiam arriscar e criar com liberdade. Estávamos presentes. Nós nos divertíamos."
Quando foi a ultima vez que você se divertiu fazendo alguma coisa, depois que virou adulto?
Pode ser que sua resposta tenha sido: ontem mesmo. Ou pode ter sido igual a minha: vixi, não me lembro.
Me lembro de estar aprendendo a surfar e estar p** da vida comigo porque na minha primeira aula, isso mesmo, PRIMEIRA AULA, estava me cobrando de ser profissional, de ficar em pé e sair flutuando pelas ondas, percebi ali o meu crítico interno, até que ouvi da professora: "Pega leve com você, está aqui aprendendo, se diverte."

O que? Se diverte? Quando foi que esqueci de me divertir? "A medida que crescemos, passamos a desenhar um pouco menos. Não é de espantar que, como adultas, nossa resposta para tentar coisas novas seja: "Não consigo. Não tenho criatividade". Com frequência, isso é outra forma de dizer: "Tenho medo de tentar porque não vou me sair bem de primeira e, se eu não me sair bem, vou parecer idiota. Começamos nos afastar..." (Rupi)
Me vi ali e comecei a relembrar do processo para chegar até aqui e escrever esse texto para você. Não foi da noite pro dia que comecei a aceitar e escutar a criança que habita em mim e deixar ela se expressar.
Não foi da noite pro dia que me senti confortável em tentar, começar, cair e levantar. A página em branco costumava assustar, sem saber muito bem onde isso ia dar, e nem o que os outros iam pensar. Tinha medo de me machucar, de me sentir rejeitada, ou abandonada no processo.
Tinha aprendido a me rejeitar e me abandonar, me cobrava tanto que não abria espaço para deixar minha criança falar, sentir e se expressar.
Comecei a sentir tudo isso mudar depois de me conectar com o mar, aprender a surfar, mergulhar, andar de skate, estar na natureza, tocar a tigela de cristal e perceber que tudo isso me ajudava a silenciar a mente, estar presente, me divertir, brincar, aprender e criar.

Ser criativo vai muito além do fato de ter dons, ser criativo é se permitir ser quem se é, abraçar o jeito que quer se comunicar, buscar soluções para os problemas, é escrever, dançar, cantar, brincar, amar, sem se preocupar.
É pegar leve com seu crítico interno e com as crenças que costumou acreditar, é se permitir errar, ouvir o que sua criança tem para falar, abrir espaço para o novo entrar, se desafiar e permitir experimentar.
É sentir, acolher, e expressar aquilo tudo que costumava deixar passar com medo do que os outros iam pensar.
"Todo mundo pode ser criativo da maneira que quiser." (Rupi)
É se conectar com o que sua alma e seu coração tem para falar.
É aceitar que errar faz parte e aprender é arte.
É dar um passo a frente em direção à vida que deseja criar, se aventurar, abraçar o novo, e se divertir com o processo, pegar leve com você que está aqui nesse mundo para aprender, crescer e de desenvolver.
Você não está aqui para ser perfeito, saber onde tudo isso vai dar, e passar pela vida sem experimentar.
É sempre se perguntar: Como posso hoje criar e me conectar com aquilo que faz meu coração se vibrar?



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