Quem é você para não brilhar?
- Priscila Carnelos
- 15 de ago. de 2025
- 4 min de leitura
Uma semana, foi o tempo que passei em frente ao computador escrevendo e apagando, me pergunto se tem a ver com estar de TPM e me cobrar mais, ou se é algo que sempre esteve aqui e essa semana me pediu para olhar.

Hoje entendi.
Passei a semana tendo conversas, plantando sementes, mostrando para as pessoas que não existe um unico certo, assim abrimos a porta para tentar e nos permitir errar.
Errar, quando foi que aprendi que precisava ser perfeita?
Escrever, apagar e o medo que vem junto do botão: publicar.
O que será que vão pensar?
Fiz um combinado comigo mesma, que se quero escrever preciso agir de acordo, então todo dia tenho meu momento de meditar e escrever, parece que assim me conecto, as palavras fluem e a mente não bloqueia.
Mas essa semana foi diferente.
Ontem me perguntei o que tudo isso estava querendo me ensinar.
Comecei a arrepiar ao ouvir o podcast "Para dar nome as coisas" no episódio "Medo de dar certo". O arrepio do pé à cabeça ao escutar ela falar que se boicotou na prova de natação por ver que estava em primeiro lugar, e se perguntou:
"Quem sou eu para ganhar?"
Ela diz que o medo de dar certo vem colado com aquele sonho grande dentro da gente, aquele que faz a gente vibrar só de pensar, mas que nos faz questionar: "Quem sou eu para ser a melhor escritora? Melhor atriz? Melhor administradora?".

Me fez refletir: todos os textos que comecei a escrever essa semana vinham do lugar de querer encorajar o outro a enfrentar o medo de errar, mas me vi ali, pequena, perguntando quem sou eu para empoderar, se estou morrendo de medo de tudo isso dar muito certo e então não saber como lidar.
Aprendi a falar que certo para mim é me vulnerabilizar, passei tanto tempo querendo tudo controlar, racionalizar, ser perfeita e não me permitindo errar, que aprender a me vulnerabilizar, demonstrar, expressar e agir de acordo com o que sinto tem sido um processo, e percebi que estava ali à me cobrar de que precisava fazer diferente.
Falei para uma pessoa essa semana: "Pega leve com você, você está aprendendo a fazer diferente, e fazer diferente não é fácil, é dificil para caramba. Olha que lindo o seu processo." Sim, eu ri da minha cara, quando percebi o jogo ali na minha frente, o outro refletindo a minha dificuldade de aceitar o meu processo e de acolher o medo de fazer diferente.
Tenho o costume de olhar além do que aquilo que o outro está a me falar, consigo enxergar no outro o medo de se expor, a dificuldade de se vulnerabilizar, o não saber como fazer para se acolher e o critico que costuma gritar, isso me faz sentir compaixão pelo processo que o outro está a enfrentar.
Mas esqueço que essa visão só está a me ensinar como quero me tratar.
Ontem ouvi: "Vão ter horas na vida que a gente vai se posicionar e encarar e outras que a gente vai se esconder e se proteger.".
Um dos textos que tentei escrever era sobre essas máscaras que a gente costuma usar para se sentir aceito e amado, e o quanto estava me cobrando de ser sempre sincera, sem máscaras, entendi que estava negando uma parte minha que tem medo, medo de ser rejeitada e de não se sentir amada. Quando uma criança está com medo, a gente não nega, não ridiculariza, costumamos abraçar, conversar, ouvir, estar ali para que ela se sinta acolhida e segura para o medo encarar, não é mesmo? E por que com a gente costumamos fazer diferente? Nos cobramos, nos culpamos, e costumamos falar: quem sou para ter medo? não posso me encontrar nesse lugar.
Ontem também ouvi:
"Sou boa, me sinto mal quando sinto raiva de alguém."
Quando foi que a gente aprendeu que ser boa é negar o que a gente sente, entendi que essa semana de TPM estava me pedindo para aceitar que o mar que tenho dentro de mim, estava agitado e era preciso de um tempo para perceber, sentir e acolher. Não é sobre querer fugir ou ocupar o tempo com outra coisa para não perceber, não é sobre empurrar para baixo do tapete, é sobre fechar os olhos, silenciar, perguntar o que o corpo está querendo te falar. É sobre sentir a tristeza apertar o peito e ansiedade criar o nó na garganta e questionar: o que isso está querendo me mostrar?
É sobre ver a criança, dentro da gente, querendo se expressar, brincar, ser ouvida, se conectar, mas com medo de tentar, e chamá-la para perto, dizer para ela que agora estamos juntas para fazer aquilo que faz o nosso coração vibrar.

É dar voz para o medo, é aceitar a raiva e a tristeza, é entender que somos humanos e que não precisamos dar conta de tudo, controlar, sermos perfeitos e muito menos estar bem o tempo inteiro.
Talvez essa semana tenha me ensinado que me vulnerabilizar também significa aceitar que meu medo só está querendo me mostrar, que tem uma luz querendo brilhar e que isso pode ser grande demais por enquanto, como se estivéssemos no mar, começando a nadar e a praia estivesse muito longe, parecendo que nunca iríamos chegar, mas que nos lembra que só é possível se mergulharmos de braçada no sonho que costuma vir acompanhado da pergunta: Quem sou eu para ganhar?
E escuto o medo falar: Quem é você para não brilhar e ocupar o seu lugar?



Bom dia Pri!!!!! Parabéns mais uma vez.
Seus Textos me fazem refletir de uma forma tão carinhosa e acolhedora.
Faz muitas mudanças na minha forma de ver a vida e nossos conflitos.
Saber que o que sinto é permitido, isso é transformador.
Gratidão!!!!!
Tem que fazer chegar suas mensagens para mais pessoas. É fantástico.