top of page

Sr Nilo, o seu Lar.


Sentado no banco da praça, aparentando seus mais de 70 anos, cabelos grisalhos, curvado, olhando para o horizonte, com suas pernas cruzadas, me chamou a atenção, parei para conversar.

"Oi, posso me sentar ao seu lado?" Perguntei


"Lógico, minha querida, fique à vontade. Estou aqui apreciando a natureza que existe nesse lugar." Respondeu ele.


"Como o senhor se chama?"


"Sou o Nilo, mas costumam me chamar de Lar."


"De Lar, que diferente, porque te chamam assim?" perguntei


"Sabe menina, a vida é muito sábia, você tem quantos anos?"


"Tenho 22 anos, me chamo Pitaia, prazer."


"Você tem muito ainda para viver e aprender, um dia há de se lembrar desse nosso encontro e do que vou te contar. Sou formado em engenharia civil, construi muitos prédios por aqui, e você o que faz?"


"Sabe Sr Nilo, quer dizer, Sr Lar, sou formada em artes, mas sinto que estou em uma fase que não sei muito bem o que fazer da minha vida, me sinto perdida, você sentiu isso?"


"Pitaia, como bom engenheiro sou ótimo em raciocinio lógico e passei minha vida sendo muito bom no que fazia, vivia para o trabalho. Até que chegou o dia de me aposentar, me vi perdido, me afundei, não tinha vontade de fazer nada, queria mesmo ficar sentado em frente a tv. Comecei a sentir dores nos joelhos, nas costas, problema de coração, tinha entrado em depressão."


"O que você fez com isso, Sr Lar?"


"Um dia encontrei um sábio sentado nesse banco em que estamos e parei para conversar. Contei para ele como estava me sentindo e se tinha algo para me ensinar.


Ele me perguntou: Nilo, quando você constrói uma casa ou um prédio, qual a primeira coisa que você precisa fazer?


Respondi: Preciso entender qual vai ser o projeto, os objetivos, interesses, estudar o terreno, ir atrás das liberações, para desenhar uma planta.


Então ele continuou: Obrigada pela sua resposta. Pelo o que entendi para que você possa construir uma casa ou um novo projeto, você primeiro precisa ter as informações para saber por onde começar, certo?

Disse que sim com a cabeça e ele continuou: E se essa casa que você vai construir, fosse você, como você gostaria que ela fosse?


Respondi: Eu nunca pensei assim, deixa eu ver. Talvez eu quisesse que fosse uma casa legal e um lugar que as pessoas gostariam de voltar.


"E por onde você começaria a construir essa casa?"


"Faria uma pesquisa para saber o que as pessoas gostariam de mim, e de ter nessa casa."


"E se você for essa pessoa que está construindo a sua própria casa, como você responderia a sua pergunta?"


"Não sei te responder, nunca pensei em ser a minha própria casa."


"Pois bem, você é a sua própria casa e o que você tem feito hoje por você e para você tem te ajudado a construir o seu corpo, a sua mente, a sua saúde e as relações que você tem construido e atraido para a sua vida. Você não pode voltar atrás, mas pode hoje ao se levantar perguntar: o que posso fazer hoje para estar mais perto daquilo que desejo construir e viver na minha vida?"


Depois disso eu nunca mais o vi. Foi daqueles encontros que precisava para me ensinar e ajudar a estar aqui hoje. Depois daquele dia entendi que estava triste pelo passado que já tinha se encerrado, agradeci por ele ter me ajudado a chegar até ali, e resolvi abraçar o meu novo projeto, do zero, uma folha em branco, era eu e a minha nova casa, me questionei por onde começar a ser o meu próprio lar de um jeito que já não quisesse mais fugir ou estar em outro lugar, e que se tornasse um ambiente agradável para que os outros também quisessem ficar.


"Sr Nilo, que lindo isso, obrigada por compartilhar, mas fiquei com uma dúvida de onde surgiu o apelido do Lar?"


"Minha querida, depois daquele encontro entendi que tudo o que precisava era aprender a me amar, me tratar com mais carinho, me escutar, aprender a me aceitar e a descobrir aquilo que fazia o meu coração vibrar.

Foi dai que um amigo, muito querido, me disse:

"Nilo, obrigada por compartilhar e nos inspirar, você é seu próprio lar e nos ensina para casa voltar." "


"Sr Lar, nem sei como te agradecer por isso, sei que não foi a toa que sentei aqui para conversar com você, obrigada por compartilhar." Ele me deu um doce beijo na testa e se despediu. Nunca mais o vi, mas como ele mesmo me disse nunca mais me esqueci daquele encontro que fez algo por aqui mudar.


Da série: Conto escrito por Pri Carnelós. Inspirados em vivências de Nilos e Pitaias que conhecemos em nosso dia a dia.


 
 
 

2 comentários


Márcia
02 de ago. de 2025

Que lindo!!!!

Me tocou profundamente.

Me fez sentir uma forte emoção.

E mudar e muito minha forma de ver a Vida.

Gratidão.

Você é incrível

Curtir
Priscila Carnelos
Priscila Carnelos
04 de ago. de 2025
Respondendo a

Que linda! obrigada por compartilhar como se sentiu!! E Fico feliz de ter tocado por ai! =)

Curtir

©2026 por Priscila Carnelós. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page